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Gastroenterologia

Visão geral das anomalias gastrointestinais congênitas

Visão geral das anomalias gastrointestinais congênitas

claurepires4 min de leitura
Visão geral das anomalias gastrointestinais congênitas

A maioria das anomalias gastrointestinais congênitas resulta em algum tipo de obstrução intestinal, geralmente exteriorizadas por dificuldades alimentares, distensão e êmese ao nascimento ou dentro de 1 a 2 dias de vida. Algumas malformações GI congênitas, como má rotação, têm um desfecho muito bom, enquanto outras, como a hérnia diafragmática congênita, têm um desfecho ruim (mortalidade de 10 a 30%).

Um tipo comum de anomalia é a atresia, na qual um segmento do trato GI não consegue se formar ou se desenvolver de maneira normal, ou se forma e então é destruído por um evento intrauterino (ruptura vascular). A mais usual é a atresia esofágica, seguida pelas anomalias das regiões jejunoileal e duodenal.

A abordagem imediata inclui descompressão intestinal (por sucção nasogástrica contínua para evitar êmeses, que podem, por aspiração, causar pneumonia ou posterior distensão abdominal com insuficiência respiratória) e encaminhar para um centro de cirurgia neonatal. Manutenção da temperatura corpórea, prevenção da hipoglicemia com glicose a 10% IV e eletrólitos, prevenção ou tratamento da acidose e infecções são, ainda, consideradas condutas vitais, para que a criança seja enviada ao centro cirúrgico em ótimas condições.

Como cerca de um terço dos lactentes com malformações gastrintestinal tem outros tipos de anomalias congênitas (até 50% nos que têm hérnia diafragmática em até 70% nos portadores de onfalocele), deve-se proceder à avaliação de outras malformações pertinentes, principalmente do sistema nervoso central, do coração e dos rins.

Obstrução alta do trato digestivo

Deve-se considerar a obstrução duodenal esofágica e, às vezes, jejunal ao diagnosticar excesso de líquido amniótico (polidrâmnio), uma vez que essas obstruções impedem que o feto possa deglutir e absorver o líquido amniótico.

Uma sonda orogástrica deve ser introduzida imediatamente no estômago do neonato após a estabilidade cardiovascular ter sido alcançada depois do parto. O encontro de grandes quantidades de líquido no estômago, especialmente se corado de bile, lembra o diagnóstico de obstrução gastrintestinal alta, enquanto a impossibilidade de passar a sonda para dentro do estômago sugere atresia do esôfago (ou obstrução nasal [p. ex., atresia coanal]).

Obstrução jejunoileal e do intestino grosso

A obstrução do jejuno e íleo pode ocorrer como resultado da atresia jejunoileal, má rotação ou íleo meconial. A obstrução do intestino grosso normalmente decorre da síndrome do plugue meconial ou atresia anal ou colônica.

Em 75% dos casos, não há história de polidrâmnio porque grande parte do líquido amniótico deglutido pode ser absorvida no intestino proximal à obstrução. Essas doenças, exceto má rotação, duplicação intestinal e doença de Hirschsprung, manifestam-se, geralmente, nos primeiros dias de vida com problemas alimentares, distensão abdominal e êmese, que pode ser biliosa ou fecal.

O recém-nascido pode evacuar pequena quantidade de mecônio inicialmente, mas depois disso não consegue evacuar fezes. Má rotação, duplicação intestinal e doença de Hirschsprung podem manifestar-se nos primeiros dias de vida ou apenas anos mais tarde.

A abordagem diagnóstica geral e o tratamento pré-operatório incluem:

  • Não administrar nada pela boca

  • Inserir uma sonda nasogástrica para evitar distensão intestinal adicional ou possível broncoaspiração do vômito

  • Corrigir desequilíbrios de líquidos e eletrólitos

  • Fazer radiografia simples do abdome

  • Realizar um enema de contraste para delinear a anatomia (o enema também pode aliviar a obstrução na síndrome da rolha meconial ou íleo meconial)

Para a doença de Hirschsprung, é necessária a biópsia retal.Defeitos no fechamento da parede abdominal

Vários defeitos congênitos envolvem a parede abdominal (p. ex., onfalocele, gastrosquise), causando protrusão das vísceras ao longo do defeito.

Por

William J. Cochran

, MD, Geisinger Clinic

Avaliado clinicamente abr 2021

Manuel MSD

Referências e fontes

Informação em saúde não substitui avaliação individual por um profissional.

Atualizado em 29/05/2023.

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