Seu portal de conteúdo médico
Infectologia

Resistência antimicrobiana: OMS lança Plano de Ação Global 2026–2036

A OMS adotou em 2026 um novo Plano de Ação Global sobre Resistência Antimicrobiana com abordagem One Health. Saiba o que muda para médicos e serviços de saúde.

claurepires5 min de leitura
Resistência antimicrobiana: OMS lança Plano de Ação Global 2026–2036

Em maio de 2026, a Organização Mundial da Saúde (OMS) adotou formalmente o Plano de Ação Global sobre Resistência Antimicrobiana para o período 2026–2036. O documento representa um marco estratégico para o enfrentamento de uma das maiores ameaças à saúde pública do século XXI: a resistência aos antibióticos, antivirais, antifúngicos e antiparasitários.

Segundo dados da OMS, infecções causadas por bactérias resistentes aos antimicrobianos já são responsáveis por mais de 1,27 milhão de mortes diretamente atribuídas por ano — e contribuem indiretamente para quase 5 milhões de óbitos. A projeção para 2050 é alarmante: sem medidas eficazes, a resistência antimicrobiana poderá matar até 10 milhões de pessoas por ano.

Para médicos e estudantes de Medicina, compreender o novo plano da OMS e o contexto da resistência antimicrobiana é fundamental — tanto para a prática clínica diária quanto para a atuação em saúde pública.

O que é resistência antimicrobiana e por que ela cresce?

A resistência antimicrobiana ocorre quando microrganismos — bactérias, vírus, fungos ou parasitas — desenvolvem mecanismos que os tornam imunes à ação dos medicamentos usados para combatê-los. Esse processo é natural e evolutivo, mas é acelerado exponencialmente pelo uso excessivo e inadequado de antimicrobianos em humanos, animais e na agricultura.

Entre os mecanismos mais comuns de resistência bacteriana estão: produção de enzimas que destroem o antibiótico (como as betalactamases de espectro estendido — ESBL), alteração dos sítios de ligação do fármaco, bombas de efluxo que expulsam o antibiótico da célula bacteriana e redução da permeabilidade da membrana.

O novo Plano de Ação Global da OMS 2026–2036: o que muda?

O Plano de Ação Global 2026–2036 substitui o anterior (2015–2019) com uma agenda mais ampla, estruturada em cinco pilares estratégicos e com abordagem One Health — reconhecendo que a saúde humana, animal e ambiental são interdependentes.

Os cinco pilares do plano

  • 1. Vigilância e monitoramento: ampliar os sistemas de vigilância da resistência em humanos, animais e ambiente, com padronização de dados globais

  • 2. Prevenção e controle de infecções: fortalecer medidas de higiene, saneamento, vacinação e controle em serviços de saúde e na pecuária

  • 3. Uso racional de antimicrobianos: implementar programas de stewardship (uso racional) em hospitais, comunidade e produção animal, reduzindo prescrições desnecessárias

  • 4. Pesquisa e inovação: incentivar o desenvolvimento de novos antibióticos, vacinas, diagnósticos rápidos e terapias alternativas (como fagoterapia)

  • 5. Governança e financiamento: garantir comprometimento político e financiamento sustentável, especialmente em países de baixa e média renda

Situação no Brasil: um cenário de atenção crescente

No Brasil, a Anvisa coordena o Programa Nacional de Prevenção e Controle de Infecções Relacionadas à Assistência à Saúde (PNPCIRAS) e mantém vigilância ativa de microrganismos multirresistentes em hospitais. Entre os patógenos de maior preocupação no país estão: Klebsiella pneumoniae produtora de carbapenemase (KPC), Acinetobacter baumannii resistente a carbapenens e Candida auris.

O uso de antibióticos sem prescrição médica — ainda comum em farmácias brasileiras, apesar da legislação restritiva — contribui de forma significativa para a seleção de cepas resistentes na comunidade. Campanhas de educação em saúde e o fortalecimento da atenção primária são ferramentas centrais no enfrentamento desse cenário.

O papel dos médicos e profissionais de saúde

Os programas de stewardship de antimicrobianos (Antimicrobial Stewardship Programs — ASP) são uma estratégia central para o uso racional em hospitais e serviços de saúde. Eles envolvem auditorias de prescrição, protocolos baseados em evidências, revisão de tratamentos em 48–72 horas e educação continuada de equipes.

Na prática clínica, algumas ações fazem diferença imediata: não prescrever antibióticos para infecções virais, escolher o agente de menor espectro possível, respeitar o tempo correto de tratamento e solicitar culturas antes de iniciar antibioticoterapia empírica sempre que possível.

Pontos principais

▸ Em maio de 2026, a OMS lançou o Plano de Ação Global sobre Resistência Antimicrobiana 2026–2036.
▸ A resistência antimicrobiana causa mais de 1,27 milhão de mortes diretas por ano — pode chegar a 10 milhões em 2050.
▸ A abordagem One Health reconhece a interdependência da saúde humana, animal e ambiental.
▸ Programas de stewardship antimicrobiano são fundamentais em hospitais e unidades de saúde.
▸ No Brasil, KPC, Acinetobacter resistente e Candida auris são os principais patógenos multirresistentes de atenção.

Referências

  • World Health Organization. Global Action Plan on Antimicrobial Resistance 2026–2036. WHO, May 2026. https://www.who.int/publications/i/item/global-action-plan-on-antimicrobial-resistance

  • WHO. Global Antimicrobial Resistance and Use Surveillance System (GLASS) Report 2025. https://www.who.int/glass

  • Anvisa. Programa Nacional de Prevenção e Controle de Infecções Relacionadas à Assistência à Saúde (PNPCIRAS). https://www.gov.br/anvisa/pt-br/assuntos/paf/programa-nacional-de-prevencao-e-controle-de-infeccoes-relacionadas-a-assistencia-a-saude

Este conteúdo é informativo e não substitui consulta médica.

Informação em saúde não substitui avaliação individual por um profissional.

Atualizado em 09/09/2026.

Você também pode gostar

Hematologia

Besremi (ropeginterferon alfa-2b): FDA aprova novo tratamento para trombocitemia essencial após quase 30 anos

Em 31 de agosto de 2026, a Food and Drug Administration (FDA) dos Estados Unidos aprovou ropeginterferon alfa-2b-njft (Besremi) para o tratamento de adultos com trombocitemia essencial (TE). A aprovação é notável por dois motivos: representa o primeiro tratamento aprovado especificamente para essa neoplasia mieloproliferativa em quase três décadas, e amplia o uso de um medicamento que já havia recebido aprovação do FDA para policitemia vera em 2021. A trombocitemia essencial é uma neoplasia...

4 min de leitura
Ler conteúdo
Infectologia

Dengue no Brasil em 2026: emergência epidemiológica, vacinação com Qdenga e o que os profissionais de saúde precisam saber

O Brasil declarou emergência em saúde pública de importância nacional por dengue em janeiro de 2026, após uma explosão de casos sem precedentes que já acumulava mais de 3,1 milhões de casos confirmados e prováveis nas primeiras 25 semanas epidemiológicas. A crise reflete a combinação de fatores históricos — alta infestação por Aedes aegypti, circulação simultânea de múltiplos sorotipos e baixa imunidade de rebanho — com condições climáticas favoráveis. Para os profissionais de saúde,...

5 min de leitura
Ler conteúdo

Instituições Parceiras Atendidas

Seja um parceiro
Suprema Juiz de ForaSuprema Três RiosHumanitasFADIP — Faculdade DinâmicaFaculdade de Gestão da Saúde

Desenvolvido por

Revisamed InteligenteMedProvasMedflixMedicinAtualPneumoAtual
Fale conosco

O que você quer encontrar?

Digite para ver os conteúdos encontrados. Use as setas do teclado para navegar.