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Gastroenterologia

Cálculos Biliares: tipos, fisiopatologia, diagnóstico, manejo e tratamento

Neste capítulo, discutiremos detalhadamente os tipos de cálculos biliares, sua fisiopatologia, diagnóstico, manejo e tratamento, conforme as

claurepires5 min de leitura
médico mostra uma peça anatômica que mostra cálculo biliar

Introdução

Os cálculos biliares, ou colelitíase, são formados pela precipitação de componentes da bile na vesícula biliar. A condição pode ser assintomática ou apresentar-se com complicações, como dor biliar ou inflamações mais graves. Neste capítulo, discutiremos detalhadamente os tipos de cálculos biliares, sua fisiopatologia, diagnóstico, manejo e tratamento, conforme as diretrizes mais recentes e atualizadas.

Tipos de Cálculo Biliar e Prevalência

Os cálculos biliares podem ser classificados em três tipos principais:

1. Cálculos de Colesterol (75% dos casos): São os mais comuns, resultantes do desequilíbrio entre a produção hepática de colesterol e a capacidade da bile de dissolvê-lo.

2. Cálculos de Pigmentos Negros (20% dos casos): Relacionados à hemólise crônica, como em doenças hemolíticas (anemia falciforme, esferocitose hereditária).

3. Cálculos de Pigmentos Marrons (5% dos casos): Associados a infecções biliares crônicas ou obstruções.

Fatores de Risco para Colelitíase

Os principais fatores de risco incluem:

- Idade avançada

- Sexo feminino

- Multiparidade

- Obesidade e síndrome metabólica

- Uso de medicamentos como contraceptivos orais e ceftriaxona

- Doenças do íleo terminal (como Doença de Crohn)

Outros fatores incluem nutrição parenteral total, perda rápida de peso e histórico familiar.

Manifestações Clínicas

A cólica biliar é a manifestação mais comum, ocorrendo em aproximadamente 90% dos pacientes sintomáticos. É caracterizada por dor intensa no hipocôndrio direito ou epigástrio, frequentemente associada à ingestão de alimentos gordurosos, irradiando para o dorso ou escápula direita.

História Natural dos Cálculos Assintomáticos

Pacientes com cálculos biliares assintomáticos apresentam um risco de desenvolver sintomas de 2% ao ano nos primeiros cinco anos após o diagnóstico. Após esse período, o risco diminui, e muitos pacientes permanecem sem sintomas por toda a vida. No entanto, a colecistectomia é recomendada para pacientes sintomáticos devido ao risco de complicações.

Complicações da Colelitíase Sintomática

As principais complicações incluem:

- Colecistite Aguda: Inflamação da vesícula biliar.

- Pancreatite Aguda Biliar: Inflamação do pâncreas devido à obstrução do ducto biliar comum.

- Colédocolitíase: Presença de cálculos no ducto biliar comum.

- Síndrome de Mirizzi: Compressão do ducto biliar comum por um cálculo impactado na vesícula.

- Íleo Biliar: Obstrução intestinal causada por um cálculo migrado.

Diagnóstico

O diagnóstico de colelitíase começa com uma avaliação clínica cuidadosa e exames de imagem. A ultrassonografia é o método de escolha inicial, com sensibilidade de 95% para cálculos maiores que 2 mm. Achados típicos incluem estruturas hiperecogênicas móveis com sombra acústica posterior.

Para casos mais complexos ou quando há suspeita de complicações, exames adicionais, como a tomografia computadorizada (TC), colangiopancreatografia por ressonância magnética (CPRM) e ecoendoscopia, podem ser utilizados.

Tratamento dos Cálculos Biliares

1. Pacientes Assintomáticos: Em geral, a colecistectomia não é indicada. Observa-se que menos de 20% dos pacientes desenvolvem sintomas em 15 anos.

2. Pacientes Sintomáticos: A colecistectomia eletiva é recomendada após a resolução da cólica biliar. O tratamento cirúrgico preferido é a colecistectomia videolaparoscópica.

Cólica Biliar

A cólica biliar é causada pela obstrução transitória do ducto cístico, levando a dor intensa em hipocôndrio direito ou epigástrio, irradiada para o dorso. Analgésicos (anti-inflamatórios não esteroides – AINES) e antiespasmódicos são recomendados para controle da dor.

Complicações

1. Colecistite Aguda: Caracterizada por dor intensa, febre e leucocitose. O tratamento envolve internação hospitalar, jejum, analgesia, reposição volêmica e, em casos moderados a graves, antibioticoterapia. A colecistectomia precoce é recomendada.

2. Colédocolitíase: Apresenta-se com dor biliar seguida de icterícia e síndrome colestática (colúria, acolia fecal, prurido). O diagnóstico é confirmado por ultrassonografia e, eventualmente, CPRE. O tratamento envolve a extração dos cálculos via CPRE seguida de colecistectomia.

3. Colangite Aguda: Caracterizada pela tríade de Charcot (dor abdominal, icterícia e febre). É uma emergência e requer antibióticos e drenagem biliar por CPRE.

Tratamento Cirúrgico

A colecistectomia videolaparoscópica é o tratamento padrão-ouro para pacientes com colelitíase sintomática. A cirurgia deve ser realizada precocemente em casos de colecistite aguda para evitar complicações.

Pontos Importantes

- Cálculos de colesterol são os mais prevalentes, representando 75% dos casos.

- Ultrassonografia é o exame de escolha inicial para diagnóstico.

- Colelitíase assintomática geralmente não requer intervenção cirúrgica.

- A colecistectomia é indicada para pacientes sintomáticos, com complicações ou com fatores de risco específicos.

- As complicações mais comuns incluem colecistite aguda, colédocolitíase e colangite.

Referências

1. European Association for the Study of the Liver (EASL) Guidelines on the management of gallstones. J Hepatol. 2016.

2. American College of Gastroenterology (ACG) Clinical Guidelines: Management of Acute Cholecystitis. Am J Gastroenterol. 2020.

3. Sociedade Brasileira de Hepatologia – Diretrizes para manejo da Colelitíase. Arq Gastroenterol. 2021.

Informação em saúde não substitui avaliação individual por um profissional.

Atualizado em 19/03/2025.

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