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Doenças infecciosas durante a gestação

Infecções maternas comuns normalmente não é considerada problema sério durante a gestação,embora algumas infecções genitais afetem o parto.

claurepires5 min de leitura
Doenças infecciosas durante a gestação

Pontos-chave

A maioria das infecções maternas comuns (p. ex., uma infecção do trato urinário, infecções de pele e respiratórias) normalmente não é considerada problema sério durante a gestação, embora algumas infecções genitais (vaginose bacteriana e herpes genital) afetem o trabalho de parto ou a escolha do tipo de parto. Assim, a discussão principal é normalmente sobre o uso e a segurança dos fármacos antimicrobianos.

Mas certas infecções maternas podem danificar o feto, como pode ocorrer nos seguintes:

  • Infecção congênita por citomegalovírus

  • Infecção neonatal pelo herpes-vírus simples

  • Rubéola congênita

  • Toxoplasmose congênita

  • Hepatite neonatal

  • Sífilis congênita

Infecção pelo HIV pode ser transmitida da mãe para a criança por via transplacentária ou perinatal. Quando a mãe não é tratada, o risco de transmissão no nascimento é cerca de 25 a 35%.

A listeriose é mais comum durante a gestação. Listeriose aumenta o risco de

  • Abortamento espontâneo

  • Trabalho de parto pré-termo

  • Natimorto

A listeriose pode ser transmitida da mãe para a criança por via transplacentária ou perinatal.
Vaginose bacteriana e, possivelmente, infecção genital por clamídia predispõem a

  • Ruptura prematura das membranas

  • Trabalho de parto pré-termo

Os testes para essas infecções são realizados durante a avaliação pré-natal rotineira ou caso os sintomas se desenvolvam.

O herpes genital pode ser transmitido ao neonato durante o parto. O risco é alto o suficiente a ponto de preferir-se a cesariana nas seguintes situações:

  • Quando as mulheres apresentarem lesões herpéticas visíveis

  • Quando as mulheres com uma história conhecida de infecção desenvolverem sintomas prodrômicos antes do parto

  • Quando a infecção por herpes ocorre pela primeira vez durante o final do 3º trimestre (quando a disseminação viral cervical no parto é provável)

Se lesões visíveis ou pródromos da infecção estiverem ausentes, até mesmo em mulheres com infecções periódicas, o risco é baixo e o parto vaginal é possível. Se as mulheres estiverem assintomáticas, culturas seriadas anteparto não ajudam a identificar aquelas com risco de transmissão. Se as mulheres tiverem infecções herpéticas recorrentes durante a gestação, mas nenhum outro fator de risco de transmissão, o parto às vezes pode ser induzido para acontecer entre as recorrências. Quando o parto for vaginal, culturas para herpes-vírus, cervicais e neonatais são realizadas. Aciclovir (oral e tópico) parece ser seguro durante a gestação.

Antimicrobianos

É importante evitar a administração de antimicrobianos a gestantes, a menos que haja evidências fortes de infecção bacteriana. O uso de qualquer antimicrobiano durante a gestação deve basear-se no fato de os benefícios excederem os riscos, os quais variam de acordo com o trimestre . A gravidade da infecção e outras opções para tratamento também devem ser consideradas.

Os aminoglicosídios podem ser utilizados durante a gestação para tratamento de pielonefrites e corioamnionite, mas o tratamento deve ser cuidadosamente monitorado para evitar dano materno ou fetal.

Cefalosporinas são geralmente considerados seguras.

Cloranfenicol, mesmo em doses elevadas, não prejudica o feto; entretanto, os neonatos não podem metabolizar de modo adequado essa droga e os níveis séricos elevados resultantes podem causar colapso circulatório (síndrome do bebê cinzento). O cloranfenicol é raramente usado nos EUA.

Fluoroquinolonas não são utilizadas durante a gestação; tendem a apresentar alta afinidade por ossos e cartilagens e assim podem ter efeitos musculoesqueléticos adversos.

Macrolídeos são geralmente considerados seguros.

O uso de metronidazol durante o 1º trimestre costumava ser considerado controverso; mas em vários estudos, foram observados efeitos teratogênicos ou mutagênicos.

Não se sabe se a nitrofurantoína causa malformações congênitas. Ela é contraindicada perto do termo porque pode causar anemia hemolítica em recém-nascidos.

Penicilinas são geralmente consideradas seguras.

Sulfonamidas geralmente são seguros durante a gestação. Porém, os sulfonamidas de longa duração cruzam a placenta e podem deslocar a bilirrubina de seu local de ligação. Esses fármacos são frequentemente evitados após 34 semanas de gestação, pois a icterícia nuclear neonatal é um risco.

Tetraciclinas atravessam a placenta e concentram e depositam-se nos ossos e dentes fetais, onde se combinam com cálcio e prejudicam o desenvolvimento; não são usadas da metade ao final da gestaçãoPontos-chave

  • A maioria das infecções maternas comuns (p. ex., uma infecção do trato urinário, infecções cutâneas e respiratórias) normalmente não é considerada problema sério durante a gestação.

  • Entretanto, infecções maternas que podem prejudicar o feto incluem infecções por citomegalovírus, vírus do herpes simples, rubéola, toxoplasmose, hepatite B e sífilis.

  • Administrar antibacterianos a pacientes gestantes apenas quando há evidências fortes de infecção bacteriana e somente se os benefícios do tratamento superam o risco, que varia de acordo com o trimestre.

Por

Lara A. Friel

, MD, PhD, University of Texas Health Medical School at Houston, McGovern Medical School

Avaliado clinicamente out 2021 | modificado set 2022

Manual MSD

Referências e fontes

Informação em saúde não substitui avaliação individual por um profissional.

Atualizado em 29/05/2023.

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