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Infectologia

Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs)

As Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs), também conhecidas como doenças sexualmente transmissíveis (DSTs), são um grupo heterogêneo d

claurepires5 min de leitura
Infecções Sexualmente Transmissíveis

Introdução

As Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs), também conhecidas como doenças sexualmente transmissíveis (DSTs), são um grupo heterogêneo de condições causadas por diferentes agentes etiológicos, como bactérias, vírus e protozoários. Elas afetam diversos órgãos e sistemas e podem apresentar manifestações clínicas variadas. A correta identificação e tratamento são fundamentais para a saúde pública, especialmente para evitar complicações como infertilidade, câncer e transmissão vertical. Este capítulo aborda os principais aspectos diagnósticos, terapêuticos e preventivos das ISTs, com foco em sífilis, herpes genital, cancro mole, linfogranuloma venéreo e donovanose, conforme as diretrizes mais recentes do Ministério da Saúde e da Organização Mundial da Saúde (OMS).

Sífilis

Etiologia

A sífilis é causada pela bactéria Treponema pallidum, uma espiroqueta que provoca uma infecção sistêmica com fases distintas (primária, secundária, latente e terciária), dependendo do tempo de evolução e da resposta imunológica do hospedeiro.

Fases Clínicas

- Primária: Caracterizada pelo cancro duro, uma úlcera indolor com bordas endurecidas que surge após o período de incubação (10 a 90 dias).

- Secundária: Manifesta-se 2 a 6 meses após a fase primária, com lesões cutâneas características (roséola sifilítica) e sintomas sistêmicos, como febre e linfadenopatia.

- Latente: Caracteriza-se pela ausência de sintomas, podendo durar anos e evoluir para cura espontânea ou para a fase terciária.

- Terciária: Acometimento de órgãos vitais, especialmente do sistema cardiovascular (aortite, aneurisma) e sistema nervoso central (neurossífilis).

Neurossífilis

A neurossífilis pode ocorrer em qualquer fase da infecção, mas é mais comum na fase terciária. Os sintomas neurológicos incluem afasia, tabes dorsalis e alterações de comportamento.

Diagnóstico

O diagnóstico é baseado em testes sorológicos, como o VDRL e o FTA-ABS, além de exames específicos, como a bacterioscopia de campo escuro e imunofluorescência para detecção do Treponema pallidum.

Tratamento

O tratamento de primeira linha é com penicilina benzatina:

- Fase primária e secundária: 2,4 milhões de UI, dose única intramuscular.

- Fase latente: 2,4 milhões de UI intramuscular, 1 vez por semana durante 3 semanas.

- Neurossífilis: Penicilina cristalina 12 a 24 milhões de UI/dia, via endovenosa, por 14 dias.

Alternativas incluem doxiciclina e ceftriaxona, especialmente em casos de alergia à penicilina, com exceção de gestantes.

Reação de Jarisch-Herxheimer

A reação de Jarisch-Herxheimer é uma resposta inflamatória aguda, geralmente nas primeiras 24 horas após o início do tratamento da sífilis, caracterizada por febre, cefaleia e mialgia, causada pela liberação de endotoxinas do espiroqueta.

Acompanhamento

Pacientes com sífilis devem ser monitorados com testes não treponêmicos trimestrais no primeiro ano e semestrais no segundo ano para avaliar a resposta ao tratamento.

Herpes Genital

Etiologia

Causado pelos vírus Herpes Simplex (HSV) tipo 1 e 2, com o HSV-2 responsável pela maioria das infecções genitais.

Manifestações Clínicas

- Primoinfecção: Vesículas dolorosas agrupadas nos genitais, que evoluem para úlceras rasas. A infecção inicial é mais grave e prolongada que as recorrências.

- Recorrências: A infecção latente pode ser reativada por fatores como estresse ou imunossupressão.

Diagnóstico

O diagnóstico é clínico, podendo ser confirmado por PCR para detectar o DNA viral ou cultura viral.

Tratamento

Os antivirais usados incluem:

- Infecção primária: Aciclovir 400 mg, 3x/dia, por 7 a 10 dias.

- Recorrência: Aciclovir 400 mg, 3x/dia, por 3 a 5 dias.

- Profilaxia: Indicado em casos de recorrências frequentes, com doses diárias de antivirais para prevenir novos episódios.

Cancro Mole (Cancroide)

Etiologia

Causado pela bactéria Haemophilus ducreyi, o cancro mole provoca úlceras dolorosas nos genitais e pode facilitar a transmissão de HIV.

Manifestações Clínicas

Úlceras dolorosas, com fundo sujo e bordas irregulares. Frequentemente, há linfoadenomegalia inguinal dolorosa (bubão), que pode fistulizar.

Diagnóstico

O diagnóstico é clínico, confirmado por cultura de material coletado das lesões.

Tratamento

- Azitromicina 1 g, dose única via oral.

- Ceftriaxona 250 mg, dose única intramuscular.

Linfogranuloma Venéreo

Etiologia

Causado pela Chlamydia trachomatis (sorotipos L1, L2 e L3), o linfogranuloma venéreo tem predileção pelos linfonodos.

Manifestações Clínicas

Inicia com uma úlcera indolor que pode passar despercebida, seguida de linfoadenomegalia inguinal dolorosa, que pode evoluir para fístulas e cicatrizes.

Tratamento

- Doxiciclina 100 mg, 12/12h, por 21 dias.

- Azitromicina 1 g, semanal, por 3 semanas.

Donovanose

Etiologia

Causada pela bactéria Klebsiella granulomatis, a donovanose provoca úlceras indolores, de crescimento lento e com tendência a sangramento.

Tratamento

- Doxiciclina 100 mg, 12/12h, ou

- Sulfametoxazol-trimetoprim (160/800 mg), 12/12h, por no mínimo 3 semanas após o desaparecimento das lesões.

Pontos Importantes

- Sífilis: O diagnóstico precoce e tratamento com penicilina são essenciais para evitar complicações graves como neurossífilis.

- Herpes Genital: O uso de antivirais reduz a gravidade e frequência das recorrências.

- Cancro Mole: Úlceras dolorosas com bordas irregulares; tratamento com azitromicina ou ceftriaxona.

- Linfogranuloma Venéreo: Linfoadenomegalia dolorosa com fístulas; tratamento prolongado com doxiciclina.

- Donovanose: Úlceras indolores com aspecto de "bife vermelho"; tratadas com doxiciclina ou sulfametoxazol-trimetoprim.

Referências

- Ministério da Saúde. Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas para Atenção Integral às Pessoas com Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs). Brasília: 2020.

- World Health Organization (WHO). Sexually Transmitted Infections (STIs): Global Epidemiology and Treatment Guidelines. Geneva: WHO, 2023.

- Centers for Disease Control and Prevention (CDC). Sexually Transmitted Diseases Treatment Guidelines, 2021.

Informação em saúde não substitui avaliação individual por um profissional.

Atualizado em 20/03/2025.

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