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Hepatologia

Lesão hepática: etiologia, fisiopatologia, sinais e sintomas, diagnótico e tratamento

Lesão hepática: etiologia, fisiopatologia, sinais e sintomas, diagnótico e tratamento

claurepires5 min de leitura
Lesão hepática: etiologia, fisiopatologia, sinais e sintomas, diagnótico e tratamento

Lesão hepática pode resultar de trauma rombo ou penetrante. Os pacientes têm dor abdominal, às vezes irradiando para o ombro, e sensibilidade. O diagnóstico é feito por TC ou ultrassonografia. O tratamento é por observação e, algumas vezes, correção cirúrgica; raramente é necessário fazer hepatectomia parcial.

Etiologia

Um impacto significativo (p. ex., acidente de trânsito) pode lesionar o fígado, assim como um trauma penetrante pode lesionar (p. ex., por arma branca ou arma de fogo). As lesões hepáticas variam de hematomas subcapsulares e pequenas lacerações capsulares a lacerações profundas parenquimatosas, lesão maior por esmagamento e avulsão vascular.

Classificação

Definem-se 6 graus de lesões hepáticas de acordo com a gravidade.
TABELA
Graus das lesões hepáticas

Fisiopatologia

A principal consequência imediata é a hemorragia. O volume do sangramento pode ser pequeno ou grande, dependendo da natureza e do grau da lesão. Muitas lacerações pequenas, particularmente em crianças, param de sangrar espontaneamente. As lesões maiores sangram abundantemente, muitas vezes causando choque hemorrágico. A mortalidade é significativa nas lesões hepáticas de alto grau.

Complicações

A incidência geral das complicações é < 7%, mas pode ser de até 15 a 20% em lesões de alto grau. As lacerações profundas do parênquima podem evoluir para fístula biliar ou formação de biloma. Na fistula biliar, a bile flui livremente na cavidade abdominal ou torácica. Biloma é o acumulo de bile delimitado, semelhante a um abcesso. Os bilomas são tipicamente tratados por drenagem percutânea. Na fístula biliar, a descompressão biliar por meio de colangiopancreatografia retrógrada endoscópica (CPRE) é muito bem sucedida.

Os abcessos se formam em cerca de 3 a 5% das lesões, muitas vezes por causa dos tecidos desvitalizados expostos ao conteúdo biliar. Suspeita-se deste diagnóstico nos pacientes em que a dor, a temperatura e o aumento da leucometria nos dias após a lesão; a confirmação é feita por TC. Os abscessos costumam ser tratados por meio de drenagem percutânea, porém, pode ser necessário fazer laparotomia se o tratamento percutâneo falhar.

Sinais e sintomas

As manifestações da hemorragia abdominal grave, incluindo choque hemorrágico, dor abdominal, sensibilidade e distensão são, geralmente, clinicamente óbvias. Hemorragia ou hematomas menores causam dor e sensibilidade abdominal no hipocôndrio direito.

Diagnóstico

  • Exame de imagem (TC ou ultrassonografia)

Confirma-se a lesão hepática por TC em pacientes estáveis e com ultrassonografia à beira do leito ou laparotomia exploratória em pacientes instáveis

Tratamento

  • Observação

  • Ocasionalmente, embolização ou correção cirúrgica

Pacientes hemodinamicamente estáveis sem outras indicações de laparotomia (p. ex., perfuração de víscera oca) podem ficar em observação com monitoramento dos sinais vitais e hematócrito seriado. Pacientes com hemorragia contínua significativa (isto é, aqueles com hipotensão e choque, necessidade de transfusão contínua ou queda do hematócrito) exigem intervenção.

Pacientes cujos sinais vitais estão estáveis, mas que precisam de transfusão contínua podem ser candidatos à angiografia com embolização seletiva dos vasos sangrantes. Pacientes instáveis devem ser submetidos à laparotomia.

A taxas de sucesso do tratamento conservador são cerca de 92% para lesões de grau 1 e 2, 80% para lesões de grau 3, 72% para lesões de grau 4 e 62% para lesões de grau 5. Depois do tratamento conservador, não há consenso na literatura sobre o tempo de permanência na unidade de terapia intensiva, permanência hospitalar, retomada da dieta, tempo de repouso absoluto ou limitação das atividades após a alta (1).

Entretanto, quanto mais grave a lesão, mais cuidado deve se ter antes de permitir a retomada de atividades que podem envolver levantar peso, esportes de contato ou trauma no tronco.

Quando a cirurgia é realizada, as pequenas lacerações tipicamente podem ser suturadas ou tratadas com hemostáticos (p. ex., celulose oxidada, cola de fibrina, misturas de trombina e gelatina em pó). A abordagem cirúrgica das lesões complexas e mais profundas pode ser complicada. A hepatectomia e mesmo a ressecção parcial do fígado são raramente feitas.

Referência sobre o tratamento

  • Stassen NA, Bhullar I, Cheng JD: Nonoperative management of blunt hepatic injury: An Eastern Association for the Surgery of Trauma practice management guideline. J Trauma Acute Care Surg 73:S288-S293, 2012. doi: 10.1097/TA.0b013e318270160d

Pontos-chave

  • A principal consequência imediata das lesões hepáticas é o sangramento, que muitas vezes para espontaneamente, sobretudo se as lesões são de grau 1 ou 2, mas que podem exigir embolização ou correção cirúrgica; a morbidade e a mortalidade podem ser significativas nas lesões de alto grau.

  • Complicações incluem formação de fístulas biliares, bilomas e abcessos.

  • Confirmar o diagnóstico por TC para os pacientes estáveis.

  • Tratar os pacientes com laparotomia (se estiverem instáveis), observação (se estiverem estáveis) ou embolização angiográfica, algumas vezes seletiva (p. ex., se estáveis, mas exigindo transfusão contínua).

Por
Philbert Yuan Van , MD, US Army Reserve
Avaliado clinicamente jul 2021

Referências e fontes

Informação em saúde não substitui avaliação individual por um profissional.

Atualizado em 13/04/2023.

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