A Acromegalia é uma doença hormonal rara, crônica e progressiva, causada pelo excesso de hormônio do crescimento, também chamado de GH, geralmente associado ao aumento de IGF-1, um hormônio que medeia muitos dos efeitos do GH no organismo. Em adultos, esse excesso não faz a pessoa “crescer em altura”, porque as cartilagens de crescimento já se fecharam. Em vez disso, ocorre crescimento gradual de tecidos moles, ossos, articulações e órgãos.
O grande desafio da Acromegalia é que as mudanças costumam acontecer lentamente. A pessoa pode notar que os anéis não servem mais, que o número do sapato aumentou, que o rosto parece diferente nas fotos antigas ou que a mandíbula ficou mais proeminente. Como essas alterações surgem ao longo de anos, muitas vezes o diagnóstico demora.
O que é Acromegalia?
A Acromegalia acontece quando há produção excessiva de GH após o fechamento das cartilagens de crescimento. Na maioria dos casos, esse excesso vem de um adenoma hipofisário, um tumor benigno localizado na hipófise, glândula que fica na base do cérebro e controla vários hormônios do corpo. O consenso de diagnóstico e manejo da Acromegalia recomenda considerar a doença em pessoas com manifestações típicas, especialmente aumento das extremidades e alterações faciais.
A hipófise produz GH, que estimula a produção de IGF-1 principalmente no fígado e em outros tecidos. Quando essa produção fica elevada por muito tempo, o corpo passa por alterações estruturais e metabólicas.
De forma simples:
Hormônio | O que acontece na Acromegalia |
GH | Fica elevado por produção excessiva, geralmente por adenoma hipofisário |
IGF-1 | Aumenta e estimula crescimento de tecidos |
Tecidos moles | Podem aumentar, causando mudanças em mãos, pés, língua e face |
Ossos e articulações | Podem sofrer crescimento e deformidades progressivas |
Metabolismo | Pode haver maior risco de Diabetes, Hipertensão e Apneia do Sono |
Quais são os sintomas da Acromegalia?
Os sintomas da Acromegalia costumam ser graduais. Muitas vezes, familiares ou amigos percebem mudanças na aparência antes da própria pessoa.
Entre os sinais mais comuns estão:
Aumento das mãos;
Aumento dos pés;
Anéis, luvas ou sapatos ficando apertados;
Mandíbula mais projetada;
Espaçamento entre os dentes;
Lábios mais grossos;
Nariz mais largo;
Testa mais proeminente;
Língua aumentada;
Voz mais grossa;
Sudorese excessiva;
Pele mais oleosa;
Dor nas articulações;
Formigamento nas mãos;
Síndrome do túnel do carpo;
Cansaço;
Dor de cabeça;
Alterações visuais.
A Acromegalia é causada por excesso de GH e IGF-1 e leva ao crescimento de ossos e tecidos, diferentemente da Doença de Cushing, que envolve excesso de cortisol e redistribuição de gordura corporal.
Por que a Acromegalia demora a ser diagnosticada?
A Acromegalia pode demorar anos para ser reconhecida porque não costuma começar de forma abrupta. Não é comum a pessoa acordar um dia com mudanças evidentes. O processo é lento, progressivo e pode ser confundido com envelhecimento, ganho de peso, alterações odontológicas, problemas articulares ou mudanças naturais do corpo.
Um sinal bastante útil é comparar fotos antigas com fotos recentes. Mudanças progressivas no rosto, na mandíbula, no nariz, nos lábios e no espaçamento dos dentes podem levantar suspeita.
Também é importante suspeitar da doença quando a pessoa apresenta várias condições associadas, como Apneia do Sono, Hipertensão, Diabetes, dor articular importante, Síndrome do Túnel do Carpo, pólipos de cólon ou massa hipofisária. O consenso de 2024 recomenda considerar Acromegalia em pacientes com essas condições relacionadas, mesmo quando as alterações típicas não são muito evidentes.
Acromegalia e Gigantismo são a mesma coisa?
Não exatamente. As duas condições envolvem excesso de GH, mas aparecem em fases diferentes da vida.
Condição | Quando acontece | Principal característica |
Gigantismo | Antes do fechamento das cartilagens de crescimento | Crescimento exagerado em altura |
Acromegalia | Depois do fechamento das cartilagens de crescimento | Aumento de mãos, pés, face, tecidos e órgãos |
Em crianças e adolescentes, o excesso de GH pode causar crescimento linear acelerado e altura muito acima do esperado. Em adultos, como a altura já não aumenta da mesma forma, predominam mudanças em extremidades, face, tecidos moles e metabolismo.
Quais complicações podem ocorrer?
Quando não tratada, a Acromegalia pode afetar vários sistemas do corpo. Isso acontece porque o excesso hormonal atua de forma contínua sobre tecidos, órgãos e metabolismo.
As principais complicações incluem:
Hipertensão Arterial;
Diabetes Mellitus tipo 2;
Apneia Obstrutiva do Sono;
Aumento do risco cardiovascular;
Alterações articulares e dor crônica;
Síndrome do Túnel do Carpo;
Pólipos intestinais;
Alterações visuais por compressão de estruturas próximas à hipófise;
Cefaleia persistente;
Aumento de partes moles, como língua e tecidos da garganta.
O consenso de manejo recomenda investigar Acromegalia em pacientes com manifestações relacionadas, como Apneia do Sono, artralgia debilitante, Síndrome do Túnel do Carpo, Diabetes, Hipertensão e pólipos de cólon.
Como é feito o diagnóstico?
O diagnóstico começa com a suspeita clínica. Quando há sinais compatíveis, o endocrinologista costuma solicitar a dosagem de IGF-1 no sangue. O IGF-1 é um exame importante porque reflete de forma mais estável a ação do GH ao longo do tempo. A Endocrine Society informa que, quando há suspeita de Acromegalia, o endocrinologista recomenda dosagem de IGF-1 e, se necessário, teste oral de tolerância à glicose para avaliar se o GH é adequadamente suprimido.
Em pessoas sem Acromegalia, após ingerir glicose no teste, a produção de GH tende a cair. Na Acromegalia, essa supressão pode não ocorrer de forma adequada.
Os exames mais usados incluem:
IGF-1;
GH após teste oral de tolerância à glicose;
Ressonância magnética da hipófise;
Avaliação visual, quando há tumor próximo ao quiasma óptico;
Exames para rastrear complicações metabólicas e cardiovasculares.
A ressonância magnética ajuda a identificar o adenoma hipofisário e avaliar seu tamanho, extensão e relação com estruturas próximas.
Como é o tratamento da Acromegalia?
O tratamento tem três objetivos principais: controlar o excesso hormonal, reduzir ou controlar o adenoma hipofisário e tratar complicações associadas. A escolha depende do tamanho do tumor, níveis hormonais, sintomas, idade, doenças associadas e possibilidade de cirurgia.
As principais opções são:
Cirurgia transesfenoidal para remoção do adenoma;
Medicamentos análogos da somatostatina;
Agonistas dopaminérgicos, como cabergolina, em casos selecionados;
Antagonista do receptor de GH, como pegvisomanto;
Radioterapia, quando há doença persistente ou residual em situações específicas.
A Mayo Clinic descreve que os análogos da somatostatina são utilizados como primeira linha medicamentosa quando a cirurgia não controla adequadamente os sintomas e os níveis hormonais; também podem ser usados agonistas dopaminérgicos e pegvisomanto em casos selecionados.
A radioterapia pode ser considerada após cirurgia para tratar células tumorais remanescentes, mas seu efeito pode levar meses ou anos, e exige acompanhamento prolongado da função hipofisária.
A Acromegalia tem cura?
Em alguns casos, sim, especialmente quando o adenoma é pequeno, bem localizado e removido completamente por cirurgia. Em outros, a doença pode exigir tratamento contínuo com medicamentos e acompanhamento regular.
Mesmo quando algumas alterações ósseas não regridem totalmente, o controle do GH e do IGF-1 é essencial para melhorar sintomas, reduzir complicações e proteger a saúde cardiovascular e metabólica.
O acompanhamento geralmente inclui:
Dosagem periódica de IGF-1 e GH;
Ressonância magnética conforme indicação;
Avaliação de pressão arterial;
Controle de glicemia;
Investigação de Apneia do Sono;
Avaliação cardiológica quando necessária;
Rastreamento de complicações intestinais conforme orientação;
Avaliação oftalmológica se houver risco de compressão visual.
Quando procurar um médico?
A Acromegalia deve ser investigada quando há mudanças progressivas no corpo, especialmente se associadas a sintomas hormonais ou neurológicos.
Procure avaliação se houver:
Aumento do número do sapato sem explicação;
Anéis ficando apertados;
Mudança progressiva do rosto;
Mandíbula mais proeminente;
Espaçamento entre os dentes;
Sudorese excessiva;
Dor articular importante;
Formigamento nas mãos;
Ronco intenso ou suspeita de Apneia do Sono;
Dor de cabeça persistente;
Alterações no campo visual;
Diagnóstico de tumor hipofisário.
Quanto mais cedo a doença é identificada, maior a chance de controlar o excesso hormonal antes que complicações se tornem mais difíceis de tratar.
Conclusão
A Acromegalia é uma doença hormonal rara causada pelo excesso de GH e IGF-1, geralmente por um adenoma hipofisário. Ela provoca mudanças lentas e progressivas, como aumento das mãos e dos pés, alterações faciais, crescimento da mandíbula, espaçamento dos dentes, suor excessivo, dor articular e possíveis alterações visuais.
Por evoluir lentamente, a Acromegalia pode passar despercebida por anos. O diagnóstico depende de suspeita clínica, dosagem de IGF-1, teste de supressão do GH e ressonância da hipófise.
Com tratamento adequado, é possível controlar a doença, reduzir complicações e melhorar a qualidade de vida. O mais importante é não ignorar mudanças corporais progressivas, especialmente quando associadas a dor de cabeça, Apneia do Sono, Diabetes, Hipertensão ou aumento das extremidades.
Informação em saúde não substitui avaliação individual por um profissional.
Atualizado em 13/05/2026.













