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Nefrologia

Visão geral das doenças tubulointersticiais

As doenças tubulointersticiais formam um grupo clínico heterogêneo de doenças que compartilham características semelhantes de lesão tubular

claurepires3 min de leitura
Visão geral das doenças tubulointersticiais

As doenças tubulointersticiais formam um grupo clínico heterogêneo de doenças que compartilham características semelhantes de lesão tubular e intersticial. Nos casos graves e prolongados, o rim inteiro pode ser envolvido, com disfunção glomerular e mesmo falência renal. As categorias primárias das doenças tubulointersticiais incluem

  • Necrose tubular aguda

  • Nefrite tubulointersticial aguda ou crônica

Nefropatia por contraste é a necrose tubular aguda causada por um agente de radiocontraste iodado.
A nefropatia por analgésicos é um tipo de nefrite intersticial crônica; e a nefropatia de refluxo e o rim do mieloma também podem cursar com nefrite tubulointersticial crônica.
As doenças tubulointersticiais também podem resultar de pertubações metabólicas e exposição a toxinas.

Fisiopatologia

Os rins são expostos a concentrações inusitadamente altas de toxinas. Os rins apresentam, entre todos os tecidos, o suprimento sanguíneo mais elevado (cerca de 1,25 mL/g/min ou 25% do débito cardíaco) e os solutos não ligados deixam a circulação via filtração glomerular em uma taxa ≥ 100 mL/min; desta forma, os agentes tóxicos atingem os rins em uma velocidade 50 vezes maior que outros tecidos e em concentrações muito mais elevadas.

Quando a urina está concentrada, as superfícies luminais das células tubulares podem estar expostas a concentrações de moléculas 300 a 1.000 vezes maiores que as do plasma. A borda fina em escova das células tubulares proximais expõe uma grande área de superfície. Um mecanismo de fluxo de contracorrente aumenta a concentração iônica do líquido intersticial da medula (e desta forma aumenta a concentração da urina) até 4 vezes a concentração normal do plasma.

Adicionalmente, diversos fatores podem afetar a vulnerabilidade celular após a exposição a toxinas:

  • Os mecanismos de transporte tubular separam os fármacos de suas proteínas ligadoras, que normalmente protegem as células de toxicidade.

  • O transporte transcelular expõe o interior da célula e suas organelas aos compostos químicos recém-encontrados.

  • Os locais de ligação de alguns agentes (p. ex., grupos sulfidrila) podem facilitar a entrada, mas retardam a saída (p. ex., metais pesados).

  • Reações químicas (p. ex., alcalinização e acidificação) podem alterar o transporte em qualquer direção.

  • O bloqueio dos receptores de transporte pode alterar a exposição tecidual (p. ex., diurese por bloqueio dos receptores da adenosina A1, como com aminofilina, pode diminuir a exposição).

  • Os rins apresentam o maior consumo de oxigênio e glicose por grama de tecido e, em consequência, é vulnerável a toxinas que afetam o metabolismo energético celular.

Por
Frank O'Brien , MD, Washington University in St. Louis
Avaliado clinicamente mar 2022

Informação em saúde não substitui avaliação individual por um profissional.

Atualizado em 18/04/2023.

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